Em 2026, o calendário eleitoral brasileiro é voltado para a escolha de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais/distritais. Ou seja: não é ano de disputa para prefeito. Ainda assim, em Passo de Camaragibe, a movimentação política já ganhou cara de pré-disputa municipal, com articulações, recados, aproximações e testes de força que mostram que a sucessão municipal entrou no radar bem antes da hora.
No centro dessa ebulição está o prefeito Ellisson Santos, que vive um momento de desgaste político. A avaliação nos bastidores é de que o gestor vem perdendo força diante do avanço da oposição e do crescimento de novos movimentos no tabuleiro local. Além de enfrentar a presença da ex-prefeita Vânia do Passo, Ellisson também passou a conviver com a entrada mais firme do ex-deputado Cícero Cavalcante no debate político do município.
E esse enfraquecimento não aparece sozinho. A gestão vem sendo alvo de críticas por conta de atrasos salariais, especialmente envolvendo servidores da zona rural, em um cenário que aumenta a insatisfação e pressiona ainda mais a administração. Em política, atraso de salário não pesa apenas nas contas públicas: pesa no discurso das ruas, no humor da população e na imagem de quem está no poder.
Como se não bastasse o desgaste administrativo, há ainda o fator judicial. A Justiça Eleitoral, em primeira instância, determinou a cassação do mandato de Ellisson Santos e do vice Adeildo Petrúcio, em decisão relacionada a abuso de poder político e econômico. Ainda cabe recurso, mas uma decisão desse porte, mesmo sem desfecho final, enfraquece a imagem de qualquer gestor e fortalece a ofensiva dos adversários.
É justamente nesse terreno de desgaste que a oposição ganha fôlego. Vânia do Passo continua sendo um nome de peso no município e segue como referência quando o assunto é contraponto ao atual grupo. Mesmo sem definição pública de candidatura ou apoio fechado, ela permanece no centro das conversas — e, em política, continuar sendo assunto já é uma demonstração clara de força.

Do outro lado, Cícero Cavalcante não entrou nesse debate por acaso. A família Cavalcante iniciou a construção de uma casa em Passo de Camaragibe, movimento visto por muitos como uma base de articulação para a disputa de 2028. Além disso, Cícero já deixou claro que sua filha, a ex-prefeita de São Luís do Quitunde, Fernanda Cavalcante, é o nome que ele pretende colocar no jogo político do município.

Esse tipo de movimentação dificilmente é tratado como coincidência nos bastidores. Quando um grupo finca base, amplia presença e passa a circular com mais intensidade, o recado costuma ser claro: há um projeto político em curso. E, em uma cidade onde o clima já está aquecido, cada gesto passa a ser interpretado como sinalização.
A presença do clã Cavalcante ganhou ainda mais visibilidade com a chegada do Bloco do Jacaré ao município, que sairá neste domingo, 1º de março. A movimentação em torno do evento reforça a presença pública do grupo em um momento em que festa, presença e articulação também entram na leitura política da cidade.

O que torna esse cenário ainda mais interessante é justamente o contraste: não há eleição para prefeito em 2026, mas Passo de Camaragibe já vive como se estivesse em contagem regressiva para ela. O grupo de Ellisson ainda não apresentou publicamente um nome para a sucessão. Vânia segue cercada de expectativa. Cícero amplia presença e testa terreno. E, enquanto isso, o município assiste a uma disputa silenciosa — mas cada vez menos discreta — por espaço, influência e protagonismo.
No papel, 2026 é ano de disputa nacional e estadual. Mas, em Passo de Camaragibe, o termômetro político já marca outra temperatura. Antes mesmo de a urna municipal ser chamada para o jogo, os grupos já se movimentam, medem forças e tentam ocupar o centro da conversa. E, quando isso acontece tão cedo, é sinal de que a sucessão ainda está longe no calendário — mas já começou, de fato, nos bastidores.
Faça um comentário